Freguesia de Ervedal

Historia do Ervedal

Ervedal, freguesia do concelho de Avis e distrito de Portalegre, situa-se próxima da margem esquerda da ribeira de Avis, na estrada que liga a fronteira a Monforte. Dista cerca de 7 km do concelho e ocupa uma área de 3810 hectares. Tem como zonas limítrofes as freguesias de Avis, Benavila, Figueira e Barros, e o concelho de Sousel.

Ervedal é uma terra de grande fertilidade, onde cresciam abundantes êrvedos, e a etimologia do topónimo pode estar relacionada com esse facto. A freguesia já existia, em 1315, com o nome de Santa Maria do Ervedal, com cerca de 80 fogos, mas a sua existência é muito mais antiga. Os vestígios que se encontram na freguesia indicam a existência de população da Idade da Pré-História, sendo monumento nacional a Anta da Herdade da Ordem.

O foral de Ervedal é o de Avis, concedido por D. Manuel, em Santarém, a 1 de Janeiro de 1512, tendo sido elevada a sede de concelho até 1835.

Foi couto com juiz ordinário e Câmara com três vereadores, escrivão e procurador. O Prior, da Ordem de Avis, foi apresentado pela Mesa da Consciência com um rendimento de 180 alqueires de trigo, 120 de cevada e vinte mil réis em dinheiro.

O Terramoto de 1755 atingiu, pelo grau VII de intensidade sísmica, Ervedal mas não arruinou, por completo, a freguesia. Em 1758, a Memória Paroquial indica que havia 258 pessoas regidas por jurisdição real e que a invocação era feita a S. Barnabé. A Câmara tornava a vila um local importante, e a comprovar esta evidência, existe uma lápide datada de 1810, onde se lê:

"D: CORREGADOR:DESTA: COMARCA.
MANUEL: FERREIRA: TAVARES: SALVADOR:
A: CÂMARA: E O POVO: DESTA: VILLA
DO: ERVEDAL
COM: O: SEU DINHEIRO: ZELO E CUIDADO
MANDARÃO: FAZER ESTA OBRA.
AN. 1810"



Desta freguesia destacam-se, como figuras ilustres, António Fialho Sequeira Bugalho (1934-1981), medico, José Francisco de Moura (1956), Professor e Presidente da Câmara de Avis e Mário Saa (1893-1971). Mário Paes da Cunha e Sá Filho de Júlio Mário da Cunha e Sá e de Maria Leonor da Silva Paes Teles, nasceu em 1893, nas Caldas da Rainha. Fazia parte das principais famílias da elite económica de Avis, apesar de ser uma família recente no concelho. Proprietário abastado, vive dos rendimentos agrícolas das suas herdades na região de Avis, de onde eram naturais os seus pais e onde viveu a maior parte da sua vida.

Mário Saa (nome literário que adoptou), balançará entre diversas concepções políticas, estéticas e filosóficas. Dedica-se, desde muito novo, a uma inconstante produção literária nos mais diversos domínios que vão desde a filosofia, a astrologia, genealogia, grafologia, geografia antiga, às investigações arqueológicas e poesia. A sua primeira obra foi impressa em 1917, com o nome "Evangelho de S. Vito", quando o autor teria apenas 24 anos. Também plenas de reflexões filosóficas intuitivas são a obra "Explicação do Homem" e os "Pégadas" e "Infinitismo".
Escreveu obras polémicas como "Memorias Astrológicas de Camões", publicada em 1940, e um texto inédito, que não chegou a ser concluído "Jesus Cristo, seu nascimento no ano 38 a. da Era Vulgar, a Idade d´Oiro".

O autor dedicou algum tempo da sua vida ao estudo da grafologia, compilando diversos exemplos de tipos de escrita, recolhida junto dos familiares e dos amigos, mas acabou por abandonar este projecto. O seu anti-semitismo desvanece à medida que se intensificam as suas relações com os principais poetas do Modernismo. Das suas investigações sobre geografia antiga derivam alguns estudos inéditos que integram o seu espólio e a edição de obras como "Origens do Bairro Alto de Lisboa" (1929), "Atlântica e Erridânia" (1936).

As investigações sobre as vias romanas resultam na obra de maior vulto e importância de Mário Saa, constituída por seis volumes, designada de "As Grandes Vias de Lusitânia". Mário Saa herdou do seu tio António Paes da Silva Marques (júnior) a casa situada na Rua Emigdio Mendes, no Ervedal, onde viveu nos últimos anos da sua vida, e a "livraria". Deste património instituiu a sua fundação em benefício do público.

Alguns anos após a sua morte, ocorrida em Janeiro de 1971, é disponibilizado ao público a biblioteca, com todos os manuscritos, correspondência e documentos pessoais que constituem o espólio dos autos, e um pequeno museu com algumas antiguidades.